sábado, 17 de março de 2012

Os dez melhores livros de 2011

Bem atrasado, diga-se de passagem, mas ainda em tempo de indicar os dez melhores livros que li no ano retrasado. A lista vai de um clássico da literatura brasileira até uma alta-fantasia escrita por um norte-americano. Serve para relembrar a diversão que tive e ficam de dica para os leitores do blog. Boa leitura.


Suzanne Collins – Jogos Vorazes


Ray Bradbury – Fahrenheit 451


Paul Auster – A trilogia de Nova York


Jorge Amado – Capitães da Areia


George Orwell – A Revolução dos Bichos


Gabriel García Márquez – Memórias de minhas putas tristes




G. R. R. Martin – A Guerra dos Tronos



Eric Novello – Neon Azul



Cassandra Clare – A cidade dos ossos





Camila Fernandes – Reino das Névoas




quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Harry Potter Fanfiction: A parte não lida

Numa galáxia distante, muitos e muitos anos atrás um jovem Alex participou de um fã-clube do Harry Potter, chamava-se na época Hogwats Special Club. Esse conto abaixo, assim como sua breve introdução, foi publicado na já não existente revista O Sofista – Especial de Fanfictions em Março de 2005.


A parte não lida


Na página 380 de "Harry Potter e o Cálice de Fogo" vemos o fim de um capítulo em que Olho-Tonto-Moody pega emprestado de Harry o Mapa do Maroto, mas na continuação do livro não encontramos a devolução, por isso resolvi escrever a cena em que isso acontece.


Harry repentinamente esqueceu a ideia de Auror e lembrou-se do Mapa, e se Moody o entregasse para Dumbledore?

Fred e Jorge! O diretor pediria informações. O que responderia sem entregar aqueles que o ajudaram? Levantou-se vagarosa e silenciosamente. Rony dormia virado para a parede. Harry abriu o seu malão, pegou a capa e desceu a torre da Grifinória.

- Hip! Hip! Nick, seu cabeça frouxa! – era Pirraça, mas a sua voz estava do outro lado do corredor ao longe.

Seguiu o corredor, abriu a porta do escritório do Prof. Moody. Seguiu para a escrivaninha, abriu a primeira gaveta. Só tinha alguns pergaminhos em branco. Tentou a segunda gaveta. Estava lá o Mapa. Pegou, fechou as gavetas, deu uma olhada no documento mágico.

Pirraça tinha ido para o Salão Principal e todos os outros estavam nos seus devidos lugares. Fechou a porta em silêncio, ajeitou sua capa e subiu à torre. Teve de acordar a mulher do quadro, entrou e seguiu para o dormitório.

Guardou a capa e escondeu o mapa. Deitou e seus pensamentos, tanto os que lhe traziam o banho com o ovo e a conversa de Snape com Filch viraram sonho.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Trem Noturno – Martin Amis


Acima de tudo esse livro é um profundo romance noir.

Martin Amis é um inglês que situa sua trama em uma cidade dos Estados Unidos, como os bons clássicos dessa vertente, entretanto no lugar de um policial decadente o papel principal da trama é dado a uma mulher – com nome de homem -, Mike Hoolihan.

Os adjetivos básicos para uma obra noir estão firmes e fortes tanto em Mike quanto nas demais partes do livro. Ela é uma policial melancólica, fumante, ex-alcoólatra e em alguns momentos fria. E é pelo ponto de vista narrativo de Mike que vemos o mundo, tendo como gatilho um crime.

Jennifer é a loira que desenvolve o papel de femme fatale ao inverso, já que é encontrada morta, nua e com três tiros dados na boca. Alguém linda, saudável, bem casada, exímia profissional e sempre sorridente poderia do nada cometer o suicídio?

Suicídio é, talvez, o maior assunto das entrelinhas que ocupa parte do discurso interno da narradora. Suicídio é o trem noturno. Aquela última ação irreversível cometida enquanto todos os demais mortais estão na tranqüilidade de suas camas, digo, vidas. O trem noturno é a morte que apenas nos leva pra estação final.

Quando eu falo sobre alguns trechos crus ou duros nada melhor que dois fragmentos que me tocaram: ‘Pensei: que bela cena de crime’ ou ‘Oito dias depois e Jennifer Rockwell ainda está aberta como um prato de banquete... ‘

Sendo Jennifer uma conhecida e o pai dela seu chefe, Mike mergulha na investigação, avaliando todos os pontos de uma vida perfeita em busca de uma falha na felicidade visível nas ações da mortal dama morta.

O niilismo, a solidão no meio urbano, as falhas morais e os flashbacks dos romances que iniciaram o noir foram moldados para serem lidos ao som do jazz Night Train de Oscar Peterson.

Este é o livro quando você procura uma narrativa angustiante, que vai apertando as têmporas conforme as páginas passam e mesmo assim não se esquece de ser questionador.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Visão do Além - Charlaine Harris


Charlaine Harris é indubitavelmente uma das minhas autoras favoritas e parece ser uma das menos reconhecidas pelas editoras brasileiras. São elas Benvirá e Lua de Papel – Selo de Leya -, respectivamente responsáveis por ‘As Crônicas de Sookie Stackhouse’ e ‘Harper Connelly Mysteries’. A primeira consegue produzir as capas mais horríveis que se têm notícias para uma série de fantasia urbana e a segunda desapareceu com travessões dos diálogos, não justificou o texto e deixou a revisão final do livro a ver navios já que mãe é mão, atrás é arás e cabelos são cabeços.

Todos sabem que nada são rosas no Brasil editorial, então vamos conhecer um pouco da trama, já que passamos pelo drama e sobrevivemos.

O romance escrito em 2005 traz consigo a marca registrada de Charlaine Harris: Cidade pequena, toque sobrenatural, serial killers e personagens femininas fortes (que sempre narram o sucesso de pintar bem as unhas dos pés!). E o vilarejo da vez é a pequena Sarne, Arkansas.

O que seria apenas mais um trabalho para Harper e seu meio-irmão Tolliver mostra-se um desafio, talvez, mortal. Não que a Senhorita Connelly não entenda de morte, afinal, esse é o seu trabalho. Aos quinze anos ela fora atingida por um raio que lhe deu um dom: Descobrir onde estão os restos mortais de pessoas desaparecidas e reviver os últimos minutos de vida do cadáver.

Como em todo bom livro de suspense que se preze as mortes não são o que originalmente se imaginavam e é isso que abre a caixinha de Pandora nas mãos da protagonista e do seu fiel escudeiros de pele marcada pelas acnes.

De maneira geral a dupla funciona bem, já que Harper tem ataques fóbicos a cada tempestade - algo que me lembrou Marley - e não consegue ser muito delicada com os seus contratantes. Os meios-irmãos são realistas e tem um passado marcado por pais alcoólatras e esquecimento afetivo, o que faz de Harper uma personagem mais complexa do que se espera de início.

O livro foi uma ótima oportunidade para Charlaine, cristã confessa, trabalhar com alguns conceitos e visões da Igreja e o tratamento ignorante com que alguns fiéis tratam pessoas diferentes.

Afinal, Harper já teve o carro apedrejado, foi ameaçada de morte, sofreu tentativas de assassinato e é geralmente humilhada em público. Quem nunca ouviu um amigo gay ou praticante de Umbanda contar que já passou por algo do gênero? Esse é também um fator subentendido tanto aqui quanto na saga de maior sucesso da autora.

A obra não é extensa, nem cansativa. Um bom passatempo pra tardes chuvosas. Este livro acaba de virar uma HQ, lançada em Junho pela Dinamite.

Os próximos títulos a serem lançados nesta série são Surpresa do Além, Um Frio doAlém e O Segredo do Além. (Com mais cuidado por parte da editora, espero!)

sábado, 7 de maio de 2011

Resenha: Os Vampiros de Morganville I – Casa Glass

Olha onde eu fui me meter mais uma vez, pensei com pessimismo assim que abri o pacote do Correio, em minhas mãos estava mais um livro – entre milhares! – que tratavam sobre vampiros, mas eu estava enganado.

Os Vampiros de Morganville I – Casa Glass da escritora Rachel Caine (Editora Underworld, 2010) tem algo de diferente. O suporte da trama principal não é feito por um romance sobrenatural repetido incansáveis vezes desde que Bella e Edward se encontraram em Forks.

Claire é a personagem principal, uma garota inteligente de dezesseis anos que vai estudar na universidade mais próxima de sua casa, na misteriosa cidade de Morganville.

Nem bem ela se acostuma com o novo ambiente e já começa a sofrer bullying vindo da patricinha e psicopata Mônica e suas amigas. Com medo de ser assassinada durante a noite ela encontra refúgio na Mansão Glass ao lado de Eve, Michael e Shane.

Para uma garota que passou a vida em uma solidão profunda três novos amigos parecem ser um grande presente do destino. Eve é uma gótica que trabalha em um café no turno da noite, Michael é um ótimo músico que desaparece durante o dia – literalmente! – e Shane é um ser humano composto de músculos e nenhum cérebro, diga-se de passagem.

Onde estão os vampiros então? Bem, eles estão onde deveriam estar o tempo todo na literatura para os moralistas, criando pânico. A cidade funciona em uma hierarquia onde não se sabe quem é o chefe.

Há toque de recolher, algumas famílias devem fazer doações quinzenais de sangue e para não ser atacado do nada você precisa de Proteção de algum sanguessuga. No meio da história também existe espaço para magia e vidência.

Alguns comportamentos de Claire não combinam com seu elevado QI, o que faz muitos torcerem o nariz para a solidez do personagem, mas eu me pergunto, não somos assim também?

Não é um dos mais bem escritos livros ou uma das melhores obras de todos os tempos, mas é um bom entretenimento para depois que se chega cansado da faculdade e o seu único desejo é esquecer um pouco da realidade. Nem que você não lembre o nome dos personagens depois que se fechar o livro.

A melhor parte, talvez seja a recorrente sensação de perigo inevitável que espreita todos em Morganville e que faz Claire e o leitor ficarem sufocados. Aquele sentimento que só consegue ser despertado pelos melhores filmes de thriller.

O término do livro é digno de um fim de uma temporada de seriado norte-americano onde você diz: PQP eu tenho que ver o que acontece em seguida! Detalhe que pode aguçar a curiosidade de alguns ou criar um ódio eterno para outros...

Partindo do princípio que a série mais longa que já me aventurei a ler e ainda não terminei foi Desventuras em Série (com 13 volumes) e esta pretende trazer 12 títulos, pra terminar esta resenha pergunto: Quem terá mais fôlego para estas aventuras, eu ou os personagens?

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Resenha: O Silêncio das Mariposas


O Silêncio das Mariposas (Editora Multifoco, 2010), escrito em seis meses pelo jornalista Juliano Schiavo traz consigo um forte traço das obras de Anne Rice, seja por manter as mesmas características mitológicas do mito vampiro ou pela personalidade profunda e filosófica dos personagens. Pode ser vista como falta de criatividade por alguns ou como uma homenagem sincera por outros.

A trama em si é um longo desabafo de um personagem sem nome ou sexo. Sem modéstia o narrador fala da sociedade e de ações incômodas por quais todos passam para poder agradar aos próximos e tornarem-se amáveis de uma maneira totalmente falsa. Esse é, talvez, o melhor ponto do livro.

O protagonista é transformado em vampiro durante um baile de máscaras pelo irresistível Lúcio. Daí em diante a história passa por ciclos cansativos em que a nova criatura tem sonhos aparentemente indecifráveis, mas que se mostram reflexos ou memórias de pessoas que marcaram sua vida mortal e que agora ele deseja experimentar o sangue, já que junto com este, pode absorver emoções e sentimentos.

O relacionamento com Lúcio é extremamente paterno e sexual, modelado por tons de sentimentos que o leitor não consegue compreender totalmente. As mariposas do título são símbolos de uma angustia profunda que persegue o vampiro tanto na mortalidade, quanto na imortalidade. Angústia e melancolia talvez definam a única maneira de ver o mundo através desse livro.

As 214 páginas deste tomo mereciam uma maior atenção editorial, assim como de copidesque. Um exemplo disso é a repetição exaustiva do adjetivo andrógino cada vez que Lúcio está em cena ou falhas gramaticais.

Para aqueles que esperam as grandes perseguições ou romances “sangue-com-açucar” da modinha, não é um bom título.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Resenha: Neon Azul

“Cada um vê o Neon de maneira diferente”. Esta é uma frase que se repete ao longo do livro “Neon Azul”, escrito por Eric Novello, que foi lançado recentemente pela Editora Draco e que mostra ser a essência da obra.

“Neon Azul” é um romance fix-up fantástico.

Formado por vários contos-capítulos, ou capítulos-contos, em que várias histórias tratam de um mesmo assunto e se conectam em diferente níveis para contar uma história cíclica.

Ao todo são 9 contos de temática fantástica que tratam tanto do bar, boate ou inferninho Neon Azul, sua misteriosa atmosfera e a presença ou ausência do incrível e desconhecido dono, o Homem.

Um desfile de personagens autênticos e com histórias de vida críveis, exceto por um ou dois, é o forte do livro. Todos têm a chance de deixar de ser figurantes em um conto para se transformar em protagonistas na história seguinte.

O clima musical de notas escritas envolve o leitor com a força necessária para transmitir a vida noturna vivenciada no Neon Azul. De certa maneira, o livro demonstra algo diferente de outros livros com temática fantástica, um realismo e uma nacionalidade na medida certa.

“Noites de insônia”, que conta a vida do insone gerente do bar, tem um tom fantástico-científico, enquanto “Invasão de privacidade” transcreve de forma clara o próprio autor ao lado de seus personagens.

Boa escrita, leitura leve e cuidado com os variados estilos de narração fazem com que as 166 páginas do romance sejam devoradas em poucas horas, com um gostinho de quero mais no fim.

“Os livros são como espelhos: neles só se vê o que temos dentro”, disse um dos personagens de Carloz Ruiz Zafón em “A Sombra do Vento”. É uma verdade totalmente aplicável para os leitores mais atentos, penso eu.

Então, convido você a colocar de bom grado a cabeça para dentro da entrada do Neon Azul; provavelmente ele se moldará às suas necessidades.